GRANDES VERDADES

(De uma palestra de Huberto Rohden)

      Se vocês quiserem dizer uma grande verdade, digam bem baixinho porque dizer alto é perigoso. E não digam isso na praça, na rua, digam isto a uma pessoa ou duas pessoas avançadas. Então não faz mal. Mas se vocês disserem isso em público, então vocês estão hereges. Porque heresia não quer dizer falta de verdade.

      Heresia quer dizer uma verdade inoportunamente publicada. Uma heresia é uma verdade geralmente que foi publicada fora do tempo e diante de pessoas que não estavam em condições de aceitar essa verdade.

      Vocês sabem, alimento e veneno no fundo são a mesma coisa. Alimentos e venenos não são contrários. Vocês podem alimentar-se de arsênico. É um veneno terrível, arsênico. Se vocês tomarem cada dia uma dose mínima de arsênico não vão morrer por causa de arsênico. Até vão alimentar-se, arsênico é alimento. Mas se vocês tomarem uma colher inteira de arsênico vão morrer.

            Quer dizer, as grandes verdades devem ser tomadas em doses mínimas, mas se vocês dão em doses muito fortes vocês matam uma pessoa. Matam a quem? Matam aquele que não é capaz de assimilar esta verdade. Uma verdade não assimilável é veneno. Uma verdade assimilável é verdade.

             Então, Paulo de Tarso disse no 1o século: aos infantes em Cristo que há entre vós em Corintos, (aos infantes em Cristo, as crianças do mundo espiritual) eu lhes dei leite para beber. Aos adultos em Cristo eu lhes dei comida sólida.

            Imaginem! Ele diz: aos atrasados deve-se dar leite para beber, como são crianças que não podem assimilar coisa forte, mas se alguém é muito avançado em espiritualidade pode dizer grandes verdades, não faz mal. Grandes verdades são alimentos para o mundo espiritual, mas, são venenos para o mundo atrasado.

* * *

Nota pessoal:

No momento atual do nosso país vivemos num mundo de mentiras. As pessoas têm medo de dizer a verdade porque certamente serão punidas. Na delação cada um diz que o outro está mentindo. Mas, é certeza que um deles não está dizendo a verdade.

Ah! Se os juízes em vez de códigos penais usassem a sabedoria de Salomão…

ILUSÃO

Não podemos estar separados de Deus, embora não percebamos.

Explica Rohden numa palestra:

      Não pode haver separação real entre o finito e o infinito; o finito não pode existir a não ser em contato com o infinito, a existência não pode existir sem contato permanente com a essência, assim como um raio solar não pode existir sem o globo solar.

     Vocês não podem pegar uma tesoura e cortar o raio solar e isolar numa caixinha, porque raio solar não existe separado do sol. Não pode existir um finito que não esteja ligado permanentemente com o infinito.

      Se vocês têm um encanamento cheio d’água e vocês cortam o encanamento, de repente a água acaba, porque não está mais em contato com a fonte. Então, como o encanamento recebe água da fonte, é claro que dentro em breve o encanamento não tem mais água. Assim vocês não podem separar o finito do infinito, não podem separar a existência da essência sem destruir a própria existência. Se uma existência se separa da essência, ela deixa de existir. É lógico! A existência só existe enquanto ela está ligada à essência. Na realidade, não no pensamento.

(PARA ENTENDER MELHOR LEIA OS LIVROS DE HUBERTO ROHDEN)

O PRINCÍPIO

Rabindranath Tagore

(Para as mães)

            “-De onde vim? Onde me apanhastes”? –Perguntou o menino a sua mãe.

Ela respondeu entre chorando e rindo, a apertar o filho ao peito:

– Estavas escondido no meu coração como um desejo dele, meu querido. Estavas nas bonecas dos brinquedos de minha infância, e todas as manhãs, quando eu fazia de argila a imagem do meu Deus, era a ti que eu fazia e desfazia.

Estavas no mesmo santuário do Deus do nosso lar e, ao adorá-lo, era a ti que eu adorava.

Viveste em todas as minhas esperanças e em todos os meus amores, na minha vida, na vida de minha mãe.

No regaço do Espírito imortal que rege o nosso lar foste nutrido durante séculos.

Quando na meninice meu coração abria suas pétalas, pairavas em torno dele como uma fragrância…

A tua terna suavidade floresceu no meu corpo jovem, como um clarão no céu antes do nascer do sol.

Predileto do céu, irmão gêmeo da luz da manhã, baixaste ao rio da vida deste mundo e, afinal, ancoraste no meu coração.

Quando fito o teu rosto, esmaga-me o mistério; tu, que pertences a tudo, te tornaste meu.

Temendo perder-te, aperto-te estreitamente ao peito.

Que magia prendeu o tesouro deste mundo na fragilidade dos meus braços?

 

CRUZ CREDO!

ROHDEN EXPLICA:

        Na Idade Média não se podia pensar.

        Quem pensasse na idade média não escapava da fogueira. Era proibido pensar. Só se podia crer e obedecer, nada mais. Ai daquele que pensasse alguma coisa. Acabava como Giordano Bruno na fogueira e muitos outros. Então na Idade Média tinha que obedecer e crer, crer e crer…

        A nossa palavra latina credo, veio de lá. Quando alguém era suspeito de herege, então gritava: ‘credo’! Então ficava livre. E se acrescentava: ‘cruz credo’, então ficava mais livre. Estava salvo da fogueira.

        Nós usamos até hoje a expressão cruz credo.

SAPIÊNCIA

          (Trecho de uma palestra dada no Rio em 68)

          Voltaremos à crença? Não! Ficaremos na ciência? Não! Há uma 3ª alternativa. Ultrapassarmos tanto a crença como a ciência. Temos que entrar no período da sapiência. E aqui estamos nos preparando para sabermos, de 1ª mão, da nossa verdadeira razão de ser. Vamos aceitar os objetivos da vida que a ciência nos fornece, mas não vamos contentar-nos com isto. Vamos associar os objetivos da vida, o conforto material, à razão de ser, pois o homem não se satisfaz com o conforto material. O fato de podermos transplantar órgãos físicos para outro corpo; o fato de termos geladeira, rádio, televisão, avião a jato, não é garantia da nossa felicidade. Isto é garantia de certo conforto do nosso ego, e vamos aceitar isto. Mas, nós queremos mais do que conforto: queremos certeza, queremos segurança, queremos tranquilidade interior para sabermos da nossa verdadeira razão de ser, que Deus nos deu e que nós temos que realizar.

          Deus nos deu, potencialmente, a nossa razão de ser; Deus nos creou o menos possível, para que nós nos possamos crear o mais possível.  Na Natureza Deus creou tudo 100%, porque a Natureza não é creativa, ela é apenas executiva. A nós, Deus creou apenas 10% para que nós nos completássemos pelo poder de nosso livre arbítrio, da nossa autodeterminação. Esta é a nossa razão de ser; atualizarmos as nossas potencialidades, que Deus depositou no fundo da nossa Natureza. E isto a ciência não nos pode dar. Isto a sapiência vai realizar; – a introspecção, a introversão, a sintonização da nossa consciência individual com a consciência cósmica universal nos dá a atualização da nossa razão do ser.

A POLÍTICA MAIS SÁBIA

         Amargos antagonismos darão lugar a uma sábia cooperação apenas quando essa lei não escrita (nos nossos códigos penais) for compreendida e o homem souber que tudo aquilo quanto ele faz aos outros recairá, em última instância, sobre ele próprio.

       A BENEVOLÊNCIA UNIVERSAL É, PORTANTO A POLÍTICA MAIS ELEVADA E SENSATA. NESTA ÉPOCA CONTURBADA É A NOSSA PREOCUPAÇÃO IMEDIATA E ÍNTIMA.

        O melhor ponto de partida para reformar o mundo é, indubitavelmente, o nosso próprio interior.  A melhor maneira de disseminar o espírito de benevolência é começar por mim mesmo.

        Seja-me, portanto permitido organizar meus pensamentos e repetir em silêncio a fórmula budista para o bem estar do mundo, cujo espírito e letra é:

– Aos quatro cantos do mundo, envio compaixão. Para o norte, o sul, o leste e o oeste, para cima e para baixo, envio compaixão. A todas as creaturas vivas na face da Terra, envio compaixão.

Paul Brunton

MAIO