O FUNDAMENTO DA VERDADEIRA ÉTICA

A milenar sabedoria chinesa está expressa no Tao Te King de Lao-Tse, que era livro de cabeceira de reis na China antiga. Huberto Rohden traduziu e comentou com sua vasta visão filosófica.

Destacamos aqui uma página para o internauta refletir e vivenciar.

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De mil benefícios goza um povo,

Quando não se fala mais em ser virtuoso nem santo.

Verdadeira reverência e amor sincero

Medram numa sociedade

Em que o direito e a moral deixam de ser prescritos.

A moralidade não reina na sociedade

Onde o interesse determine o agir.

Esses princípios não podem ser prescritos,

Mas devem ser vividos.

Somente onde eles são vivenciados

É que ajudam os homens.

A ética genuína só existe

Onde o homem vive de dentro da sua fonte

E age pela pureza do seu coração;

Onde a genuinidade do seu ser

Se revela em atos desinteressados

E isentos de desejos.

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Explicação de Rohden:

          Lao-Tse volta ao princípio básico de que os atos, que fluem pelos canais do ego humano, devem receber as águas vivas da fonte do Eu cósmico; que nenhum homem pode ser fonte, mas todos funcionam como canais, que devem manter-se livres e desobstruídos de qualquer impureza egoica e estar firmemente ligados à fonte cósmica. É a eterna repetição do primeiro mandamento da mística: “Amarás o Senhor teu Deus”…, e do segundo mandamento da ética: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

 

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Nota: este livro não deve faltar numa biblioteca.

JULHO

O PROFETA DO DESERTO

Quando Jesus tinha uns trinta anos e ainda trabalhava na oficina de Nazaré, desconhecido de quase toda gente, apareceu às margens do Jordão um vulto estranho vindo do deserto – João Batista. Era enviado por Deus para dizer a todo o povo que em breve apareceria Jesus Cristo, o Salvador do mundo. Mandou que todos se convertessem dos seus pecados, dessem disto prova pública e praticassem boas obras. 

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           A palavra de Deus se dirigiu a João, filho de Zacarias, no deserto. E pôs-se ele a andar por todas as terras do Jordão, a pregar o batismo de penitência para perdão dos pecados — conforme vem escrito no livro das palavras do profeta Isaías:

“Uma voz ecoa no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas; encher-se-á todo o vale e abater-se-ão todos os montes e outeiros; tornar-se-á reto o que é tortuoso, e o que é escabroso se fará caminho plano; e todo homem verá a salvação de Deus” . (Lc. 3, 2-6) .

      Usava João uma veste de pelos de camelo e um cinto de couro em volta do corpo; gafanhotos e mel silvestre formavam o seu alimento (1).

     Jerusalém, a Judeia em peso e todas as terras do Jordão foram ter com ele. Faziam-se por ele batizar no Jordão, confessando os seus pecados.

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      Desde os tempos dos grandes profetas do Antigo Testamento, não se vira fenômeno igual em Israel. Havia séculos que tinham emudecidos os lábios do último dos mensageiros de Yahveh, Malaquias.

     A voz de João era forte, vibrante, dura mesmo; as suas palavras, breves e incisivas; os seus gestos, parcos e rápidos; toda a sua atitude incutia terror e confiança ao mesmo tempo.

    – Preparai os caminhos do Senhor! Chegou o Messias, o Cristo prometido há séculos! Eu vos mergulho na água, o Messias, porém, vos há de mergulhar no espírito santo!

     Entrementes, passava a certa distância o peregrino de Nazaré, silencioso, como se fosse um dos numerosos pecadores que vinham solicitar o mergulho de conversão.

Erguendo a mão, o profeta aponta para a pessoa que acabava de assomar à praia, bradando:

– Eis aí o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

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(1) É esta a opinião geral. Entretanto, há documentos antigos que falam em “árvore do gafanhoto”, de cujos frutos João se alimentava. Como essa árvore não fosse assaz conhecida prevaleceu a ideia geral de se ter João alimentado de gafanhotos.

 

 

SABEDORIA MILENAR

Da Bhagavad Gita – cap. 2

Fala Krishna:

23 – Armas não ferem o Eu, fogo não o queima, águas não o molham, ventos não o ressecam.

24 – O Eu não pode ser ferido nem queimado; não pode ser molhado nem ressecado – ele é imortal; não se move nem é movido, e permeia todas as coisas – o Eu é eterno.

25 – Para além dos sentidos, para além da mente, para além dos efeitos da dualidade habita o Eu. Pelo que, sabendo que tal é o Eu, por que te entregas à tristeza, ó Arjuna?

O CORPO DO CRISTO VIVO

Os ensinamentos de Jesus eram exemplificados pelo símbolo material.
Assim também na cerimônia da Santa Ceia Jesus compara a ingestão do alimento – no caso o pão e o vinho – com a comunhão do corpo espiritual do Cristo vivo.
Portanto, se o alimento que o homem ingere para sua nutrição, não for integrado por ele, sem antes não for desintegrado, assim também não pode o Cristo Divino ser integrado espiritualmente, se o homem não for desintegrado materialmente no seu ego físico, mental e emocional.
A verdadeira comunhão se dá em espírito e verdade pela assimilação do Cristo como ocorreu pela primeira vez na manhã de Pentecostes.
O mistério da Santa ceia é lembrado na cerimônia da comunhão nas igrejas.
Da mesma forma o silêncio interior com meditação praticada nas religiões orientais é um meio de estar em comunhão com o Cristo vivo presente em cada um.

O AMOR CONJUGAL

De Paramahansa Yogananda, no livro: “O Romance com Deus”

               Em sua forma ideal, o amor conjugal pode ser uma das maiores expressões do sentimento humano. Foi o que Jesus indicou quando disse: “Portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher”. Quando homem e mulher se amam de modo verdadeiro e puro estão em total harmonia de corpo, mente e alma. Quando expressam seu amor da forma mais elevada, o resultado é uma união perfeita. Mas este amor também tem uma imperfeição: pode ser manchado pelo abuso do sexo, que eclipsa o amor divino. A natureza fez o impulso sexual muito forte para que a criação pudesse continuar. Assim, o sexo tem seu lugar no relacionamento conjugal; mas, se for o fator predominante no relacionamento, o amor voará porta afora, sumindo completamente. Em seu lugar entrarão o sentimento de posse, a familiaridade excessiva, o abuso e a perda da amizade e da compreensão. Embora a atração sexual seja uma das condições que fazem o amor nascer, o sexo em si não é amor. Sexo e amor estão tão distantes um do outro quanto a lua e o sol. Só quando a qualidade transmutadora do verdadeiro amor predomina no relacionamento é que o sexo se torna uma expressão de amor. Os que vivem muito no plano sexual perdem o caminho e não conseguem encontrar um relacionamento conjugal satisfatório. Só com autodomínio, quando o sexo não é a emoção dominante, mas sim incidental ao amor, é que o marido e mulher podem conhecer o amor genuíno. No mundo moderno, infelizmente, o amor é geralmente destruído pelo excesso de ênfase no aspecto sexual.

MUITOS CAMINHOS E UM SÓ TERMO

(Do livro: “Em Espírito e Verdade” de Huberto Rohden)

São diversos os dons espirituais, mas o espírito é um só; diversos são os ministérios, mas um só é o Senhor; há operações diversas, mas um só Deus que tudo opera em todos. É para utilidade que cada um se concede a manifestação do espírito. A um é concedido pelo espírito o dom da sabedoria; a outro o dom da ciência, pelo mesmo espírito; a outro a fé, pelo mesmo espírito; a outro, a virtude de fazer milagres; a outro, o dom das línguas; a outro, a interpretação dos idiomas. Tudo isto faz um e o mesmo espírito, que distribui os seus dons a cada um como quer.

(1 Coríntios 12, 4)

 

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        Paulo não é desses mestres que tudo querem nivelar e plasmar à sua imagem e semelhança. Que não admitem outros métodos, outros trilhos senão os que eles mesmos compreendem e seguem…

         Há no reino de Deus milhares de manifestações espirituais – provenientes de um só espírito…

        Deus é o Deus da riqueza, da abundância, da variedade, da plenitude – não é o Deus do vácuo, do deserto, da monotonia…

        No reino de Deus há suficiente espaço para todos os astros, planetas e satélites do universo espiritual.

        Deixemos a cada um a sua trajetória – para que seja perfeita a unidade na multiplicidade…

        O reino de Deus é um jardim imenso – há canteiros e cores para todas as flores…

        Não queiras, ó homem néscio, fazer do viçoso jardim de Deus um herbário sem vida…

        Não queiras, ó homem, fazer da rosa açucena, do cravo miosótis, da tulipa jasmim…

        Seja cada qual com perfeição o que deve ser – e será admirável a sinfonia dos espíritos cantada pelo Espírito de Deus…