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SABEDORIA DA NATUREZA

FILOSOFANDO COM UM FILÓSOFO

Eu era uma criança tímida e introspectiva na escola. Uma professora me chamou carinhosamente de filósofa. E, anos depois, na escola da vida encontrei um verdadeiro filósofo; e daí, eu comecei a fazer jus ao apelido que minha professora me deu.

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Assim dizia o filósofo:

Há séculos que terminou, para a humanidade-elite do ocidente o período da crença, que aceitava a realidade do mundo espiritual em virtude de testemunho alheio. A razão de ser da vida para uma humanidade espiritualmente infantil era a crença num Deus distante e futuro – era uma solução, embora precária e provisória.

Principiou então a era da ciência, que prometia ao homem o céu aqui na terra. Mas, se provou insuficiente – acabou por transformar a terra num inferno. Rádio, televisão, aviões supersônicos, etc, podem certamente dar certo conforto ao homem físico-mental, mas não podem resolver o problema central do homem espiritual.

Estamos agora na fronteira de um novo mundo, o período da sapiência. A sabedoria, a experiência própria e íntima do mundo divino e espiritual. Experiência esta que deve ser vivida e vivenciada agora pelo próprio homem, no reduto central da sua natureza.

A sapiência deve ser a Religião única e universal – não mais dependerá de tradições e revelações do passado. Não haverá mais crença nem descrença – mas, tão somente a sabedoria da experiência da própria Realidade divina.

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Que possamos acender em cada um de nós a luz para que as trevas da ignorância possam desaparecer!

 

SOU VIDA DA TUA VIDA, MESTRE!

Na data de hoje lembramos os 36 anos da morte de Huberto Rohden.

O que será que ele diria hoje lá das alturas? Sabemos o que ele registrou nas páginas imortais de seus escritos.

Transcrevo aqui alguns solilóquios do livro “A voz do silêncio”:

 

Morrer! – Que coisa horrível!…

Não ser mais!… Ser deixado a sós num cemitério… Debaixo da terra fria, dia e noite, esquecido de todos, enquanto o resto da humanidade continuava a rir e folgar despreocupadamente, como se eu nunca tivesse existido…

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Mas, a verdade me libertou da pior das escravidões que um homem pode sofrer: a ignorância, o erro sobre si mesmo…

Hoje sei que, com ou sem este corpo físico, eu existo e vivo consciente e plenamente.

Sei que sou eterno – porque sou a luz da Tua luz – e essa luz jamais se extinguirá…

Eu sei vitalmente que sou eterno, imortal – e isto eu sou hoje, amanhã e para todo o sempre…

Aleluia!…

 

MAHATMA GANDHI – 148 ANOS DE NASCIMENTO.

Há 148 anos nascia em Porbandar – Índia, a grande alma, o Mahatma, e dele o mundo não se esqueceu.

O grande líder místico e político da Índia foi um exemplo de inofendibilidade.

Rohden conta numa palestra:

        Mahatma Gandhi foi tratado com infinitas injustiças durante os seus 79 anos, tanto no sul da África onde viveu 20 anos, como também na Índia onde viveu o resto da sua vida… Foi encarcerado, maltratado esbofeteado inúmeras vezes.

        E no fim da vida foi perguntado por um dos seus amigos se ele tinha perdoado todas as injustiças que ele tinha recebido dos seus inimigos e Gandhi com a maior simplicidade e sinceridade disse:

        – “não, não perdoei nenhuma injustiça porque nunca ninguém me ofendeu”.

        E por isto ele nada tinha que perdoar… Porque perdoar só se pode quando há ofensa; quem não foi ofendido não tem material para perdão. Então ele afirma que não tem nada que perdoar a ninguém porque nunca foi ofendido por ninguém. E isto ele não disse por mentira, mas por absoluta sinceridade e verdade.

         Como é que um homem tão maltratado como Gandhi, pode afirmar que nunca foi ofendido e por isto não há matéria para perdão? É porque ele não estava mais na zona da ofendibilidade, somente o nosso ego é ofendível.

          Onde não existe mais ego não existe mais consciência de ofendibilidade e a isto Gandhi tinha chegado. É o máximo.

 

“SE O GRÃO DE TRIGO NÃO MORRER”…

OFENDIBILIDADE

Do genial Professor Huberto Rohden.

        A maior parte dos homens sofre de um ofendismo crônico, que por vezes se manifesta em ofendite aguda. Sente-se sempre rodeado de ofensores e tenta acabar com eles, esquecido de que não existe nenhuma possibilidade de acabar com todos os ofensores, que são milhares e milhões – pelo menos ofensores potenciais; pois todo homem ego é potencialmente ofensor de outro homem ego.

        Quando conseguiria o ofendido eliminar, matar ou converter todos os seus ofensores? Em 10 anos? Em 100 anos? Em 1000 anos? Nunca!

        Não seria mais prático, em vez de querer acabar com os milhares de ofensores, acabar com o único ofendido, que é o homem-ego? Pois, enquanto o meu ego for ego, ele é ofendível, e, enquanto eu sou ofendível, a cada momento posso sentir-me ofendido. Invento ofensas mesmo que não haja ofensores. A ofendibilidade incubada pode, a qualquer momento, eclodir numa ofensa, estabelecendo ofendismo crônico e ofendite aguda – numa interminável reação em cadeia.

A NOSSA SOCIEDADE

Este texto é da última página da primeira edição do livro Paulo de Tarso de Huberto Rohden. O livro foi escrito durante a 2ª guerra mundial. Imagine o que Rohden escreveria hoje! As últimas edições foram modificadas, mas é um livro que vale a pena ler.