Archive for the ‘Sem categoria’ Category

ANJOS

(copiado da enciclopédia Barsa)

            Do grego angelos  e latim angelus (mensageiro).

          O anjo, em religiões, é um enviado de Deus aos homens para indicar-lhes sua vontade. Desses mensageiros fala a Sagrada Escritura, tanto no Velho como no Novo Testamento. Deus põe um anjo à entrada do Paraíso, após a queda de Adão e Eva; um anjo detém a mão de Abraão que estava a ponto de sacrificar seu filho Isaac; um anjo anuncia ao profeta Daniel a próxima vinda do Messias. E, no Novo Testamento, um anjo anuncia a Maria o mistério da Encarnação; coro de anjos glorificam a Deus pelo nascimento de Salvador; no Horto de Getsêmani um anjo conforta Jesus antes da paixão; um anjo faz rodar a pedra que lhe fechava o sepulcro e anuncia às santas mulheres a Ressurreição. Finalmente São João fala no Apocalipse, de multidões de anjos que no céu, louvam incessantemente a Deus.

        Assim como o homem, segundo as mesmas fontes são creaturas racionais, mas dele se distinguem pelo fato de serem puros espíritos, sem mescla de matéria.

       Como puros espíritos, os anjos são invisíveis aos homens; e só por mandado divino tomam forma visível.

       Não consta da revelação a época em que foram creados por Deus, mas consta que foram submetidos a uma prova a que muitos não resistiram. Rebelaram-se contra Deus, e foram sepultados no inferno como castigo. Estes são os anjos maus ou demônios. Os anjos fiéis foram confirmados na graça. Deus concedeu-lhes o dom de nunca mais pecar daí em diante. Diz, além disso, a Sagrada Escritura que os anjos são inúmeros, diferindo uns dos outros pela natureza ou pelos encargos que lhes são confiados.

       Geralmente consideram-se nove classes ou coros angélicos, que na ordem de perfeição são os seguintes: Anjos e Arcanjos, Tronos, Dominações, Principados, Potestades, Virtudes, Querubins e Serafins. Deus atribuiu a cada homem, segundo a doutrina católica, um anjo quem o protege; o Anjo Custódio ou da Guarda.

      Benedito XV (1921) determinou que a festa de Todos os Anjos fosse celebrada a 2 de outubro.

* * *

        O Zoroastrismo, o Judaísmo e o Islamismo também têm anjos. No judaísmo pós-bíblico sete anjos são mencionados pelos nomes. São os arcanjos. Desses quatro são invocados mais frequentemente: Miguel, Gabriel, Rafael e Uriel. O primeiro livro de Enoc (não canônico) acrescenta-lhes Sariel, Raguel e Remiel ou Jeremiel.

Miguel é Mikal no Islam, Gabriel é Jibril. Juntamente com Izrail e Israfil guardam o trono de Alá.

* * *

Gabriel Arcanjo: Um dos três arcanjos mencionados na Sagrada Escritura. Foi enviado por Deus para anunciar ao profeta Daniel a vinda do Messias. Anunciou também a Zacarias o nascimento de São João Batista e à Virgem, o de Jesus.

Miguel Arcanjo: um dos arcanjos mencionados 4 vezes na Bíblia, com frequência nos apócrifos e uma vez no Corão. É representado com armadura e espada vencendo o demônio.

Rafael Arcanjo: Nome de um anjo que disfarçado em homem e com suposto nome de Azarias, acompanhou o jovem Tobias numa longa viagem até a terra dos medos. Ele curou o pai de Tobias da cegueira.

 

SERÁ O HOMEM COROA DA CREAÇÃO?

Do livro: “Entre dois mundos” de Huberto Rohden.

        A humanidade que nós conhecemos não é, de forma alguma, “feita à imagem e semelhança de Deus”, a que se refere o Gênesis. Nem mesmo a humanidade ocidental, com quase 2000 anos de Cristianismo. Ninguém pode ver no homem a coroa da creação – nesse animal bípede ligeiramente intelectualizado do pescoço para cima, cuja inteligência, aliás, o tornou a mais perigosa das feras que habitam o nosso planeta. A intelectualização do instinto fez do homem um monstro de ganância e agressividade, cujas garras e dentes se aperfeiçoaram em forma de metralhadoras, bombas atômicas e aviões de bombardeio; fez dele uma repugnante caricatura de sexualismo desbragado e um inferno de doenças físicas e mentais, que nenhum animal selvagem conhece.

Verdade é que, de longe em longe, aparece algum homem individual que lembra um reflexo da Divindade – mas esses homens esporádicos não representam 1 %, nem siquer 1/1000% da humanidade total.

QUEM GANHOU A GUERRA?

CULPA E SOFRIMENTO

Do livro: “Por que sofremos” de Huberto Rohden

          Toda culpa acarreta uma pena é esta a inexorável biologia do universo espiritual. Toda desordem tem de ser reintegrada na ordem por meio do sofrimento.

            Se a desordem é prole dum gozo ilegal, só pode a ordem ser filha dum desgozo, dum sofrimento.

            Se o prazer ilegal macula, a dor redime.

            Entretanto, como dizíamos, a finalidade da dor não se cifra nesse papel negativo, nesse pagamento de débito, nesse simples restabelecimento da ordem perturbada pela culpa. A dor tem também caráter de crédito, tem uma função nitidamente positiva e construtora e é precisamente isto que dá conforto, coragem e serenidade a todo humano sofredor.

            A dor, quando compreendida, é um poderoso fator de evolução rumo às alturas, é um veemente estímulo de progressiva espiritualização da vida.

            Não afirmamos que a dor, considerada em si mesma, tenha caráter redentor, mas, sim, que Deus se serve do sofrimento para redimir o homem das suas misérias e imperfeições.

AGOSTO

 

OS OLHOS DA ESFINGE

(Extraído de uma edição antiga do livro “Porque Sofremos”)

Refere a mitologia que, numa montanha, a meio caminho de Tebas, vivia um monstro singular que tinha corpo de leão e cabeça de homem. A todo viandante propunha ele misterioso enigma, e devorava sem piedade a quem não lhe soubesse solução.

            Passou por lá o príncipe Édipo, que de pronto adivinhou o segredo da terrível esfinge — ao que esta, furiosa, se precipitou ao mar.

            O enigma da esfinge era o homem…

            E, apesar da solução que todos os Édipos da história lhe têm dado, ou tentado dar, continua o homem a ser um grande enigma, semianjo e semianimal — esse “desconhecido”…

            E o centro desse enigma, o ponto mais obscuro dessa noite, o mais doloroso nervo dessa chaga viva é o problema do sofrimento.

            Por que deve o homem sofrer?…

            A história da humanidade é uma imensa cadeia de sofrimentos, de ordem física e moral.

            E a vida de cada indivíduo, desde o berço até ao esquife — que é ela senão um elo nessa enorme corrente de dores? . . .

            Cada um de nós é uma humanidade em miniatura, é uma síntese e recapitulação dos martírios do gênero humano.

            Entramos no mundo chorando — e sairemos do mundo gemendo. ………………………………..

 

O PROBLEMA DA CRIMINALIDADE JUVENIL E INFANTIL

 

Do livro: “Novos rumos para a educação” de Huberto Rohden.

        Tenho diante de mim o livro Daemon-Stadt (Cidade-Demônio) do Dr. Kurt Gauger, médico, psiquiatra e filósofo germânico, obra em que o autor, à luz de abundantes fatos recentes, estuda o alarmante problema da criminalidade juvenil, e até infantil, na Alemanha e em outros países, no período que seguiu às duas guerras mundiais. Chega à conclusão de que a presente geração, produto de gerações anteriores e herdeira de ideologias funestas, perdeu a noção da responsabilidade ética, porque perdeu a noção de ser parte integrante do grande TODO, seja o TODO imediato da humanidade, seja o TODO longínquo do Universo como tal. Uma criança de 12 anos mata seu pai com um tiro de revólver; interrogada pelo motivo do crime, responde cinicamente: “Matei porque quis”. Não tem o menor remorso do seu ato, diz, porque toda pessoa tem o direito de fazer aquilo que acha interessante.

         Em última análise, quem perde a visão de um TODO maior de quem ele faz parte e que tem de respeitar, perde necessariamente a noção da ética, da obrigação, do dever moral, porque a noção da ética se baseia na consciência de que eu sou parte de um TODO, e que esta parte tem certas obrigações naturais e indeclináveis para com o TODO, que tem direitos reais sobre mim.

        Como se vê, o problema da criminalidade afeta o problema da ética, e este radica no problema da metafísica, a questão da íntima natureza humana. “Que é o homem? de onde vem? para onde vai? por que está aqui na terra?” – não é possível dar base sólida à ética sem responder, satisfatoriamente, a essas perguntas fundamentais da vida.

        Necessitamos, não só de professores eruditos para instruir os seus alunos – necessitamos, sobretudo, de mestres de caráter que, com a sua própria vida e vivência, deem a seus discípulos o exemplo da dignidade do homem.

        No citado livro Daemon-Stadt, págs. 122-124, reproduz o Dr. Kurt Gauger a impressionante carta de um jovem delinquente que, à sombra da penitenciária, escreve uma espécie de exame de consciência para os “homens honestos” do mundo. Diz o jovem delinquente:

       Por que vós sois fracos no bem, por isto nos destes o nome de fortes no mal – e com isto condenais uma geração contra a qual pecastes – porque sois fracos.

        Nós vos concedemos dois decênios para nos fazerdes fortes – fortes no amor, fortes na boa vontade – vós, porém, nos fizestes fortes no mal, porque sois fracos no bem.

        Não nos indicastes caminho algum que tivesse sentido, porque vós mesmos ignorais esse caminho e vos descuidastes de procurá-lo – porque sois fracos. Vosso vacilante ‘não’ assumia atitude incerta diante das coisas proibidas; nós demos uns gritos – e vós retirastes o vosso ‘não’ e dissestes ‘sim’, a fim de poupardes os vossos nervos fracos. E a isto chamastes ‘amor’.

        Porque sois fracos, por isto comprastes de nós o vosso sossego. – Quando nós éramos pequenos, nos dáveis dinheiro para irmos ao cinema ou comprarmos sorvete; com isto prestastes um serviço não a nós, mas sim à vossa comodidade – porque sois fracos. Fracos no amor, fracos na paciência, fracos na esperança, fracos na fé. Nós somos fortes no mal – mas as nossas almas têm apenas metade da nossa idade.

        Nós fazemos barulho para que não tenhamos de chorar por todas aquelas coisas que deixastes de nos ensinar. Sabemos ler e contar; sabemos quantos estames há nesta ou naquela flor, sabemos como vivem as raposas e conhecemos as estruturas de um pé de capim – aprendemos a ficar quietos nos bancos de escola e apontar o dedo, a fim de contarmos coisas sobre raposas e rosas silvestres – mas não nos ensinastes como enfrentarmos a vida.

        Estaríamos até dispostos a crer em Deus, num Deus infinitamente forte que tudo compreendesse e de nós esperasse que fôssemos bons – mas não nos mostrastes um só homem que fosse bom pelo fato de crer em Deus. Ganhastes muito dinheiro com serviços religiosos e murmurastes orações segundo a velha rotina.

       Sr. Policial põe de parte o teu cassetete e tua pistola! Dize-nos antes o que nos interessa saber: é verdade que amas a ordem pública a que serves? Ou não será que amas o direito que tens ao teu ordenado e à tua aposentadoria?

Senhor Ministro! Mostra-nos se é forte como homem! Quantas obras boas praticas tu, como cristão, às ocultas?

Será que nós não somos as caricaturas da vossa existência toda feita de mentiras?

        Nós somos desordeiros públicos e fazemos muito barulho – vós, porém, lutais às ocultas, um contra o outro; estrangulai-vos comercialmente e armais intrigas para conquistardes posições mais rendosas.

           Em vez de nos ameaçardes com bastões de borracha, colocai-nos face a face com homens de verdade, que nos mostrem qual é o caminho certo, não com palavras, mas com a sua vida.

          Mas ai! Que vós sois fracos no bem! Os que são fortes no bem vão para a mata virgem e curam os negros da África – porque eles vos desprezam, assim como nós vos desprezamos. Porque vós sois fracos no bem – e nós somos fracos no mal.

Mamãe, vamos rezar! Porque esses homens fracos estão armados de pistolas!

* **

Como invalidar esse tremendo exame de consciência que um criminoso institui com os ‘homens honestos’ da sociedade, os que são ‘fracos no bem’?

* * *

NOTA:

Este livro contém uma série de palestras que Rohden fez no auditório do Ministério da Educação em 1958 no Rio de Janeiro.