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DONDE VEM A ÁGUA QUE SAI DA MINHA TORNEIRA?

(Trecho do livro “Roteiro Cósmico” de Huberto Rohden).

          Vem do encanamento ou vem da fonte?

          Koestlers, no seu livro entre Gandhi e Nehru, conta do espanto de certos indianos das montanhas quando, em casa de um missionário americano, viram “sair água da parede”. Eles, os nativos, só conheciam água a sair da terra, no meio das montanhas ou das florestas. E agora, como é que água sai de uma parede seca?

          Os nativos não viam os encanamentos que entravam pela parede trazendo água de uma fonte distante.

          É o caso de todos os inexperientes: enxergam o trecho final do conduto; nada sabem do trecho inicial, de alguma nascente distante, que nunca viram. Têm uma visão míope, nada percebe da fonte primária, da origem longínqua das coisas.

          Também não sabem que essa fonte primária é inesgotável e pode mesmo funcionar sem nenhum canal visível.

          Uma nascente no meio das montanhas flui há centenas de séculos e milênios, sem nenhum encanamento. Este serve para dar determinada direção às águas, mas não lhes dá origem.

SANSARA

Trechos de uma palestra de Huberto Rohden

          A palavra é tomada da natureza. É um símbolo. Eles imaginam um lago no meio das montanhas lá do Himalaia. Um lago cercado de montanhas – se há muito vento as ondas das águas ficam encrespadas e não se vê nada no fundo quando as águas estão agitadas pelo vento. Também não se espelha nada no lago. Não se espelham as árvores da beira do lago, não se espelham as nuvens do céu, não se espelham as estrelas da noite. Nada se espelha no lago enquanto ele está agitado.

Isto é estado de Sansara aplicado às leis humanas, quando o nosso interior está agitado, revoltado, sem sossego; então estamos em estado de Sansara. Sansara – até a palavra já parece dizer – Sansara é qualquer coisa de bagunça. Tudo agitado, Sansara, Sansara, Sansara…

* * *

          Isto é estado do homem muito primitivo e muito profano. E o grosso da humanidade vive infelizmente num eterno Sansara. 24 horas de Sansara. Não tem sossego, não tem tranquilidade nem por um momento da sua vida. É um Sansara permanente. É horrível, uma vida inteira de Sansara, sobretudo aqui no ocidente, nas grandes cidades.

* * *

          Quando alguém está consciente da sua existência, mas não está consciente da sua essência – isto é estado de Sansara. E quem é que está consciente da sua essência? O grosso da humanidade não sabe nada da sua essência, do seu Eu, do seu centro. Só sabe das suas superfícies, das suas existencialidades. E não sabe nada do que eles são. Sabem o que eles fazem, sabem o que eles dizem e sabem o que eles têm. Tudo isto eles sabem, isso é existencial – mas não sabem nada daquilo que eles são. E acham que é perda de tempo investigar O QUE SOU EU. Eles pensam que nós sabemos perfeitamente o que nós somos. Eles se identificam com o corpo que eles têm, mas que eles não são, e se identificam com a mente que nós temos, mas que nós somos; identificam-se com os seus desejos emocionais que cada um tem, mas que ninguém é.

NOSSO CÉREBRO

Do livro “Roteiro Cósmico” de Huberto Rohden

          A ciência demonstrou que o cérebro humano contém 9.000.000 de células nervosas localizadas na substância cinzenta do córtex; e cada uma delas tem um nervo de transmissão. A soma total desses nervos, alinhados, daria um comprimento de uns 500.000 km, isto é, cerca da distância terra-lua.

          Acham os materialistas que esse cérebro material seja o órgão do pensamento, e que, faltando esse órgão, o homem seja incapaz de pensar.

          Entretanto, foi experimentalmente provado que o cérebro material não é o órgão do pensamento; o que serve de base ao pensamento é algum cérebro imaterial, alguma vibração, algum “campo de forças” muito mais sutil.

JULHO

ILUSÕES DAS ALEGRIAS MATERIAIS

Do livro “O Sermão da Montanha” de Huberto Rohden:

          Quem tem a consciência reta e sincera de estar na Verdade é profundamente alegre, calmo, feliz, embora externamente lhe aconteçam coisas que o entristeçam — e quem, no íntimo da sua consciência, sabe que não está na Verdade é profundamente triste, ainda que externamente se distraia com toda a espécie de alegrias.

          Quanto mais triste o homem é internamente, pela ausência de harmonia espiritual, tanto mais necessita ele de alegrias externas, geralmente ruidosas e violentas. Esse homem não tolera a solidão, que lhe traz consciência mais nítida da sua vacuidade ou desarmonia interior; por isso, evita quanto possível estar a sós consigo; procura companhia por toda a parte, e, quando não a pode ter em forma de pessoas, canaliza para dentro da sua insuportável solidão parte dos ruídos da rua, por meio do jornal, do rádio, da televisão. Alguns vão mais longe e recorrem a entorpecentes — maconha, cocaína, morfina, etc. para camuflarem, por algum tempo, a sensação da sua triste solidão.

          Quem teme a concentração necessita de toda a espécie de distrações para poder suportar-se a si mesmo. E, como essas distrações e prazeres, pouco a pouco, calejam a sensibilidade, necessita esse homem de intensificar progressivamente os seus estimulantes artificiais para que ainda produzam efeito sobre seus nervos cada vez mais embotados. Por fim, nem já os mais violentos estimulantes lhe causam mossa e então esse homem chega, não raro, a tal grau de tristeza, no meio de suas “alegrias” que põe termo à sua tragédia por meio do suicídio. Outros acabam no manicômio. É que nenhum homem pode viver sem uma certa dose de alegria.

          Enquanto o homem não descobrir a bela tristeza da vida espiritual, tem de iludir a sua fome e sede de felicidade com essas horrorosas alegrias da vida material.

Essas alegrias externas, porém, têm sobre ele o efeito da água do mar, que tanto maior sede dá quanto mais dela se bebe.

BIOLOGIA DA DOR

Do livro Por que sofremos? De Huberto Rohden

Todo ser vivo, ao menos no presente estágio, se acha sujeito ao sofrimento. É lei da natureza.

            A função biológica da dor é da mais alta relevância, porque está a serviço da conservação e evolução do indivíduo e da espécie. Sendo o ser vivo um conjunto de elementos de cuja harmonia funcional depende a vida e atividade vital, deve o indivíduo zelar solicitamente pela existência e integridade de cada um desses fatores. Para conseguir que o ser vivo cuide eficazmente da existência e integridade dos seus elementos constitutivos é que a Natureza, sempre admirável em suas leis, o dotou da faculdade de sentir dor e prazer, sendo aquela uma advertência de perigo iminente, e este um atestado de funcionamento normal…

TRADIÇÃO MILENAR HINDU

“Da mesma forma que a terra suporta os que calcam aos pés e lhe dilaceram o seio, lavrando – a, da mesma maneira nós devemos retribuir o mal com o bem. – O homem honesto deve tombar sob os golpes dos maus, como a árvore do sândalo, que, ao abater-se, perfuma o machado que a destruiu”…

Krishna (5000 anos AC)

 

“A humanidade possui tradições conservadas e transmitidas de geração em geração”.

 “Em todos os tempos a Divindade se revelou aos homens, não só pela natureza, mas também por intermédio de homens de especial idoneidade receptiva”.

Huberto Rohden