O PROFETA DO DESERTO

Quando Jesus tinha uns trinta anos e ainda trabalhava na oficina de Nazaré, desconhecido de quase toda gente, apareceu às margens do Jordão um vulto estranho vindo do deserto – João Batista. Era enviado por Deus para dizer a todo o povo que em breve apareceria Jesus Cristo, o Salvador do mundo. Mandou que todos se convertessem dos seus pecados, dessem disto prova pública e praticassem boas obras. 

* * *

           A palavra de Deus se dirigiu a João, filho de Zacarias, no deserto. E pôs-se ele a andar por todas as terras do Jordão, a pregar o batismo de penitência para perdão dos pecados — conforme vem escrito no livro das palavras do profeta Isaías:

“Uma voz ecoa no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas; encher-se-á todo o vale e abater-se-ão todos os montes e outeiros; tornar-se-á reto o que é tortuoso, e o que é escabroso se fará caminho plano; e todo homem verá a salvação de Deus” . (Lc. 3, 2-6) .

      Usava João uma veste de pelos de camelo e um cinto de couro em volta do corpo; gafanhotos e mel silvestre formavam o seu alimento (1).

     Jerusalém, a Judeia em peso e todas as terras do Jordão foram ter com ele. Faziam-se por ele batizar no Jordão, confessando os seus pecados.

* * *

      Desde os tempos dos grandes profetas do Antigo Testamento, não se vira fenômeno igual em Israel. Havia séculos que tinham emudecidos os lábios do último dos mensageiros de Yahveh, Malaquias.

     A voz de João era forte, vibrante, dura mesmo; as suas palavras, breves e incisivas; os seus gestos, parcos e rápidos; toda a sua atitude incutia terror e confiança ao mesmo tempo.

    – Preparai os caminhos do Senhor! Chegou o Messias, o Cristo prometido há séculos! Eu vos mergulho na água, o Messias, porém, vos há de mergulhar no espírito santo!

     Entrementes, passava a certa distância o peregrino de Nazaré, silencioso, como se fosse um dos numerosos pecadores que vinham solicitar o mergulho de conversão.

Erguendo a mão, o profeta aponta para a pessoa que acabava de assomar à praia, bradando:

– Eis aí o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

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(1) É esta a opinião geral. Entretanto, há documentos antigos que falam em “árvore do gafanhoto”, de cujos frutos João se alimentava. Como essa árvore não fosse assaz conhecida prevaleceu a ideia geral de se ter João alimentado de gafanhotos.

 

 

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