EM CLIMA DE NATAL

triangulo

O texto é longo, mas deve ser impresso, lido e meditado. Trata-se de uma orientação para meditação dada pelo Professor Huberto Rohden no Rio de Janeiro, um mês antes do Natal de 1963 (24/11/63). Foi registrado para os arquivos da ALVORADA DO RIO DE JANEIRO.

A época é propícia para refletir sobre a presença do Cristo em nós.

MEDITAÇÃO

      Meus amigos, “quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”. “Onde dois ou três estiveram reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”.

     Essas duas frases, uma da filosofia oriental, outra do Cristo, dizem a mesma coisa. O ambiente é essencial para a experiência, onde não há ambiente favorável não há experiência. Quando o discípulo não está pronto pode o Mestre estar presente, mas o discípulo não o sabe e para ele o Mestre está ausente. Quando dois ou três estiverem reunidos, mas não em nome do Cristo, então o Cristo não está presente. Mas quando o discípulo está pronto, subjetivamente pronto, ambientado, exposto, então ele verificará a presença do Mestre. A presença objetiva é um fato permanente, mas a presença subjetiva, experiencial é um problema.

     O Cristo afirmou que Ele está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Isto é um fato objetivo, o Cristo cósmico, universal. Mas se algum de nós experimenta a presença do Cristo, isto é um problema. Se estivermos reunidos, mas não em nome d’Ele, num ambiente com a vibração, com a aura d’Ele, Ele não está conosco experiencialmente, embora esteja presente objetivamente.

     Quer dizer que tudo depende do nosso receptor. Agora, por exemplo, o espaço está cheio de música admirável, as emissoras estão lançando no espaço música e nós não percebemos nada. A música está presente a nós, mas nós estamos ausentes da música. Se sintonizássemos, a música se tornaria presente a nós. É sempre a mesma lei.

     Então o Mestre diz: Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome… – Que palavras misteriosas! Por que dois ou três? E por que não muitos, uma grande multidão? Se o divino Mestre não conhecesse os mistérios da esotérica, da mística, do imponderável, do invisível, talvez Ele não tivesse dito isto. Mas, como Ele sabia essas coisas – os mistérios do Reino de Deus – Ele escolheu muito bem as palavras: dois ou três. Dois, formam uma dualidade, uma bipolaridade que nós chamamos altruísmo, ética, harmonia entre dois, na horizontal; o meu ego e outro ego – harmonia, ética com a humanidade ao redor de nós. DOIS.

     TRÊS é o número da totalidade sagrada. O triângulo sempre foi o símbolo da sacralidade universal – eu, os outros homens e a Divindade – Eu, o altruísmo e o universalismo – eu harmonizado com os meus semelhantes – dualidade, dois, e nós, eu e eles, harmonizados com a universalidade, com o todo. Aqui temos outra vez, a afirmação da ética e da mística.

     A ética é o caminho para a mística e a mística é a culminância da ética. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles”. Quando alguém é intensamente ético pelo 2º mandamento e, além disso, for intensamente místico pelo 1º mandamento, então ele experimentará a minha presença, diz o texto. Então a presença do Cristo já não é um problema, é uma realidade. E não é necessário discutir, provar analiticamente essa verdade da presença universal do Cristo; é uma verdade evidente, vivida, saboreada, gloriosa e jubilosamente experimentada.

     “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles”. – Em meu nome! Isto para nós é uma palavra misteriosa, é, às vezes, vazia. “Em meu nome”…

     Que quer dizer “Em meu nome”? A Bíblia sempre usa a palavra nome em vez de manifestação. “Em nome de Deus” – pela manifestação de Deus – “Santo é o seu nome” – universal é a sua manifestação – SANTO é universal; NOME é revelação existencial da consciência universal de Deus. NOME é o que nós chamamos existência, a imanência de Deus nas coisas finitas; isto é o que a Bíblia chama nome.

     Nomear é manifestar. Enquanto a coisa não é nomeada ou denominada, para nós ela não existe; é a pura essência longínqua, universal, infinita, absoluta, abstrata, transcendente, inacessível ao nosso conhecimento. Mas, quando a essência é denominada, é finitizada, é existencializada, então nós começamos a perceber a presença de Deus na imanência das suas creaturas, e, sobretudo, em nós mesmos.

     “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome”, com a minha vibração, sintonizados pela vibração crística, então eles verificarão que eu estou presente no meio deles.

     Quer dizer que tudo depende da ambientação, da criação do ambiente propício. Se nós somos “a luz do mundo” porque é que não luzimos, porque é que não brilhamos? Não temos ambiente para brilhar e esse ambiente tem que ser criado por nós. Se nós somos somente vida como o Mestre afirma, por que continuamos inertes e dormentes? Não há ambiente. Nenhuma semente brota, colocada aqui na mesa, por mais viva que seja; brota quando colocada no fundo da terra, com umidade e com calor solar, duas coisas necessárias para a brotação de qualquer semente: umidade terrestre e calor celeste, elemento de baixo e o elemento de cima; elemento duplo que cria o ambiente para o despertar da vida dormente.

     Essa criação do ambiente se chama FÉ, essa misteriosa palavra , “fides”, fidelidade. Se alguém não é fiel a si mesmo, não tem ambiente; essa fidelidade sempre consiste nesses dois elementos: fidelidade com os seus semelhantes e fidelidade com o grande Todo Universal; fidelidade na horizontal, pela ética, altruísmo; fidelidade universal pela vertical da mística, universalismo.

     Voltamos sempre à síntese do Evangelho que são o 1º e o 2º mandamento, o nosso contato com o Infinito e a nossa harmonia com todos os finitos. Em 1º lugar com os finitos humanos que nos rodeiam, depois com os finitos da Natureza abaixo de nós. Mas essa segunda harmonia com a Natureza não é muito difícil, é fácil harmonizar com a Natureza. É difícil harmonizar com a humanidade. O único teste está na harmonia com os nossos semelhantes. E por isso o Mestre frisa que a harmonia com os nossos semelhantes, enquanto depende de nós, é um teste da harmonia com o Infinito. É preciso insistir nessa harmonia ética. Como é que tu dizes que amas a Deus se não amas a teu próximo? Como é que tu podes amar a Deus, a quem não vês se não amas a teu próximo a quem vês? Insisto na necessidade do caminho, do método para a meta, porque, evidentemente, para nós o difícil não é o 1º mandamento, o difícil para cada um de nós é o 2º mandamento, o imediato da ética, não o longínquo da mística que é uma consequência natural do imediatismo da ética.

     De maneira que quem consegue estabelecer um ambiente horizontal de altruísmo, da ética, da caridade, do amor ao próximo e chega a cumprir aquela coisa antiquíssima que todos os filósofos, videntes e místicos e profetas da humanidade frisaram: “faze aos outros o que queres que te façam e não faças aos outros o que não queres que te façam”, que é o mesmo do 2º mandamento. Se alguém chega a isto, verificará que a experiência espiritual, a experiência de Deus não é nenhum problema. Problema é apenas a harmonia com seus semelhantes. Uma vez aberta essa janela da ética, que é o 2º mandamento, o sol da mística entra espontaneamente, porque é da íntima natureza da luz penetrar onde haja lugar aberto. É da intima natureza da luz a saudade de Deus, conscientemente presente onde quer que o ego desobstrua a passagem. O problema é a desobstrução da passagem feita pelo ego e pelo egoísmo; uma vez desobstruída essa passagem, aberta essa janela, nada resta a fazer. A espiritualidade não é uma coisa artificial, forçada, ela é absolutamente espontânea, desde que sejam removidos os obstáculos que o nosso ego cria. Quando entramos em meditação nós nos afundamos e abismamos mais uma vez nessa grande verdade; “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles”.

     Portanto, vamos reunir-nos em nome, na vibração do Cristo, do Cristo da ética, para que o Cristo da mística se revele. “Eu estou presente, todos os dias, a cada um de vós, até a consumação dos tempos”! “Quando o discípulo está pronto o Mestre aparece”, não é necessário que seja um mestre visível, que é apenas um estágio inicial, finalmente aparece o Mestre invisível que é o período definitivo da experiência. Nesse 2º período, qualquer discípulo pode evocar a presença do Mestre, e o Mestre aparece. Não precisa aparecer fisicamente, porque isso não é um aparecimento material, o físico não é real, é puramente aparente. Real é o metafísico, o invisível. A verdadeira presença é uma presença invisível, muito mais real que todas as presenças visíveis.

     Temos, portanto, que invocar e evocar a presença do Mestre, a presença que é um fato, mas, para nós, é um grande problema. Quando o problema se resolve e se torna fato, então estamos iniciados na suprema sabedoria; quando o problema deixa de ser problema e quando a presença subjetiva, experiencial se torna tão real como a presença objetiva, então está tudo resolvido! Os outros problemas da humanidade são apenas problemas derivados. O único problema original é esse: sentir, viver, experienciar, saborear a presença real do Mestre.

 Meus amigos, preparemo-nos para essa evocação da presença do mestre, num ambiente dos dois e dos três, no ambiente da ética, da dualidade entre o ego e a alteridade, altruísmo e do Universal. No triângulo há um ponto culminante que domina todos os pontos da horizontal, esse ponto culminante do triângulo, na pirâmide, é o Infinito, é o Deus da mística dominando todos os altruísmos da ética. E então a realidade do Cristo é para cada um de nós, um fato. Criamos o nosso ambiente, que o Mestre presente, mas ainda ausente para nós se torne presente a cada um de nós todos os dias até à consumação da nossa vida terrestre e a continuação das outras vidas, para sempre.

*   *

*

Mestre!

Pela ética e pela mística eu invoquei e evoquei a Tua presença real, eu me tornei presente a Ti que estavas sempre presente a mim. Lucifica-me com a tua luz, dinamiza-me com a Tua força, que eu continue a sentir entre dois ou três, entre os homens e aos olhos de Deus, a Tua presença e que a minha vida seja completamente transformada por essa consciência permanente do INFINITO em todos os meus finitos e que eu seja a imagem viva do UNIVERSO. UNI pela consciência espiritual, DIVERSO em todos os setores da minha vida profissional, harmonizado na grande diversidade, e que o Reino de Deus seja realmente estabelecido em mim e sobre a face da terra.

 

4 responses to this post.

  1. Posted by Sérgio Cavalini on 07/12/2016 at 23:28

    Maravilhoso texto do Professor, Iris.
    Profundo, esotérico e qualitativo…Alvorada nunca visou conversão em massa, mas a compreensão espiritual de algumas almas, que podem agir como um fermento espiritual no seio da sociedade.
    Que nesse Natal possamos vivenciar a presença do Mestre em espírito e verdade.
    Paz e bem a todos.

    Responder

  2. Sérgio, assim como este maravilhoso texto (apostila de aula feita por alunos) há outros no Rio. São aulas desde os anos 50, abordagens inspiradas de assuntos – muitos não têm nos livros. Estamos digitando para não se perderem.
    O texto não fala em Natal, mas da presença do Cristo, que é o principal – muito propícios para estes dias conturbados.

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  3. Posted by JORGE MENDES FERREIRA on 12/12/2016 at 17:50

    QUE A LUZ CRÍSTICA CONTINUE A ILUMIINAR MESTRE ROHDEN, NAS MORADAS DA CASA DO PAI……. NAMASTÊ GERAL….

    Responder

  4. COM CERTEZA JORGE, A LUZ CONTINUA E EMITINDO RAIOS PARA NÓS. OBRIGADA!

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