“BEM-AVENTURADOS OS PACIFICADORES”

PACIFICADORES

COMENTÁRIO DE ROHDEN NO LIVRO “O SERMÃO DA MONTANHA”

     A palavra latina pacificar e, da qual é derivada pacificus, é composta de dois radicais (e o mesmo acon­tece em grego): pax e facere, isto é, “paz” e “fazer”. Pacificador (em latim pacificus) é, pois, aquele que faz a paz, é um “fazedor de paz”, um homem que possui em si a força creadora de estabelecer ou restabelecer um estado ou uma atitude permanente de paz no meio de qualquer campo de batalha.

     A tradução “pacíficos”, em vez de “pacificadores”- que se encontra em muitas versões portuguesas – não corresponde ao sentido do original grego eirenopoioi, nem ao latim pacifici, porque ambos significam um processo ativo e dinâmico, e não apenas um estado passivo de paz.

     Quem é, pois, verdadeiro pacificador?

     Não é, em primeiro lugar, aquele que restabelece a paz entre pessoas ou grupos litigantes, mas sim aquele que estabelece e estabiliza a paz dentro de si mesmo. Aliás, ninguém pode ser verdadeiro pacificador de outros se não for pacificador de si mesmo. Só um autopacificador é que pode ser um alopacificador. A pior das discórdias, a mais trágica das guerras é o conflito que o homem traz dentro de si mesmo, o conflito entre o ego físico-mental da sua humana personalidade e o Eu espiritual da sua divina individualidade.

* * *

     Esta mais trágica guerra, este conflito que o homem traz dentro de si mesmo é genialmente retratado no milenar livro hindu Bhagavad Gita (Sublime canção). Há uma luta entre Arjuna que representa o Eu do homem não plenamente consciente de sua natureza divina, e Krishna, o Eu divino já plenamente realizado.

     Foi a Bhagavad Gita que deu forças a Mahatma Gandhi para realizar a sua gigantesca obra de libertação da Índia, sem derramamento de sangue. Fato inédito na história.

 

2 responses to this post.

  1. Nunca haverá paz, sem os verdadeiros “pacificadores” de si mesmos.

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  2. E Jesus afirmou no Sermão da Montanha que os pacificadores (de si mesmos) são bem-aventurados, felizes. Felicidade é o que todos nós amerjamos.

    Responder

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