O QUE SOU EU?

 

COUINHO

POR HUBERTO ROHDEN

Era uma vez um grande coqueiro de 10 metros de altura. E ao pé dele um coquinho de um ou dois cm de diâmetro.

E o coqueiro disse ao coquinho: – Tu és o que eu sou.

E o coquinho respondeu:

– Eu não sou o que tu és. Tu és uma árvore de 10 m de altura e eu sou uma sementinha de 1 a 2 cm.

– Não, disse o coqueiro, eu não estou referindo à tua casca. Estou me referindo a teu germe vivo, a tua casca não é viva. Tu és o teu germe, o que eu sou na minha vida. Porque a vida do teu germe é a mesma vida que está em mim.

– Como disse o coquinho. Eu serei algum dia como tu és agora?

Disse o coqueiro:

– Tu serás também externamente o que já és internamente o que eu sou. Porque a nossa essência e a mesma, a nossa existência é diferente. A qualidade é a mesma, apenas a quantidade é diferente.

– E o que tenho que fazer, perguntou o coquinho, para ser o como tu és?

– Bem, disse o coqueiro, o teu invólucro tem que se desintegrar. Então tu serás também o que eu sou.

– O que é isso, desintegrar? Quer dizer que eu vou morrer?

– Não, tu não vais morrer, porque se morresse nunca te tornarias coqueiro. Tu não vais morrer. O teu invólucro, algo ao redor de ti que agora te está protegendo, isto tem que se desintegrar. Isto agora é um auxílio para ti, esta casca. Mas daqui a pouco será um empecilho e este empecilho tem que ser destruído para que o teu conteúdo possa expandir-se.

E o coquinho a princípio não quis crer que ele fosse como o coqueiro porque ele estava olhando sempre para a sua casquinha morta, que não era viva, a casca dura. Mas ele nunca tinha pregado os olhos no seu germe vivo porque a vida não é coisa visível, só a casca é visível. Ele estava limitado à sua casca e por isso tinha pavor de sua chamada desintegração. Pensava que ele ia morrer e não alguma coisa que ele tinha ao redor de si. Não tinha autoconhecimento como nós diríamos em linguagem popular. Ele se confundia com o que ele tinha e não se identificava com o que ele era de fato.

Esse é o mal de quase todos nós. Não sabemos o que somos. O que somos já agora. Porque nós somos também no nosso ego o que seremos no nosso Eu. O nosso Eu é como o coqueiro e o nosso ego é como a sementinha. Mas não o invólucro do nosso ego que é o nosso egoísmo, mas o conteúdo do nosso ego que é a nossa egoidade.

One response to this post.

  1. MAGNÍFICO!!!

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