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VOLTANDO AOS TEMPOS DE COLÉGIO COM HUBERTO ROHDEN –

CÓPIA DE UM TEXTO DO LIVRO: ‘HONRA AO MÉRITO” – DE 1922.

 

         … O P. Jorge, sentado ao piano, preludiava à surdina o belíssimo canto “Saudades de um peregrino” enquanto o aluno se quedava imóvel levemente Inclinado para frente, seguindo com atenção o compasso e, a um ligeiro sinal do maestro, entrou:

 

Oh, país da Cruz bendita,

Doces terras de Além-mar!

Dias, sim, de sol formoso,

Noites, oh, de almo Luar!     

               Oh, rechãs e virgens selvas

              De vasta, imensa extensão,

              Onde livre corre a mente,

              Livre bate o coração!

Lá do Sul torrão sagrado,

Paraíso terreal

Primoroso, perfumado

De saudade celestial! 

               Te saúdo, a ti suspiro

              Te bendigo, éden gentil;

              Deus te salve, Deus te guarde,

              Engrandeça-te, o Brasil!

Doce terra dos encantos,

Luminosa, multicor!

Vida brota dos recantos,

Desabrocha meiga flor! 

              E dos mares embalado,

              Majestoso, juvenil.

              De palmeiras afagado,

              Vives, cresces, meu Brasil! 

És do vasto céu descido

Entre luzes e esplendor,

Templo imenso e majestoso

Da grandeza do Senhor! 

               É teus filhos cavalheiros,

              Raça nobre, varonil,

              Jubilosos brados soltam:

              Salve, medra, meu Brasil! 

Quando a noite sobre a terra

Desenrola o escuro véu,

Quando sequer uma estrela

Não se pinta cá no céu: 

              Lá desponta nos fulgores,     

              No silêncio, no frescor,

              Sempre viva no Cruzeiro

              Santa Cruz e santo amor. 

Oh, verdeja, vívida hera,

Enlaçada com a Cruz,

Tão somente deste tronco

Brota vida, brilha luz! 

              Deste tronco não desprendas

              Teu amor crente infantil;

              Perecer, morrer não queiras

              Sem a Vera Cruz, Brasil! 

* * *

                  A atenção dos assistentes atingira o máximo. O silêncio era o que se costuma dizer, religioso!

                 O acertado do texto, os primores da composição, a mestria da interpretação, as doces modulações, e os apaixonados estros daquela voz metálica, vibrante e pura como o cristal das fontes — tudo isso e, talvez mais do que tudo isso, aquele ar de encantadora inocência varonil do vigoroso solista, mantiveram o auditório numa espécie de enlevo, um arroubo de inefável delícia, dessa delícia toda espiritual que eleva, enternece, arrebata a alma para as regiões do verdadeiro idealismo.

 

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