A VOZ SILENCIOSA DA ALMA

sol

 

Huberto Rohden

 

 Impor silêncio temporário aos sentidos e ao intelecto é indispensável para ouvir a voz silenciosa da razão ou da alma, o Deus em mim. 

A ação do fermento do reino de Deus no homem é silenciosa, como silenciosas são todas as coisas grandes e sublimes. O que é realmente grande não necessita de ruidosa publicidade para se manter e expandir, dispensa deslumbrantes cartazes multicolores e altissonante propaganda. Quanto maior o silêncio, tanto melhor para a grandeza, porque a alma das coisas grandes está para além das categorias de tempo e espaço, que não podem produzir nem destruir o que é eterno e infinito. 

O homem profano, dentro ou fora da mata virgem, necessita de barulhos múltiplos e violentos, tambores e trombetas, espocar de foguetes e bombas, gritaria selvagem e descompassada; só assim pode ele sentir suficientemente a sua própria existência, que, sem isso, se esvairia em tênue neblina de incertezas.

O homem profano necessita desses  barulhos, porque só assim, quando o seu sujeito se sente objetivado e refletido no espelho desses ruídos externos, é que ele é capaz de sentir a sua própria existência.

Daí a sua fome instintiva por barulhos!

 

Parafraseando o conhecido “cogito, ergo sum” (eu penso, logo existo), de Descartes, poderia o homem profano dizer: “Eu faço barulho, logo existo!”. Se não fizesse barulho, não teria suficiente certeza da sua existência. De maneira que a plenitude de todo esse barulho externo é atestado da vacuidade interna de seu autor, porque o homem de plenitude interna não tem necessidade dessa compensação externa. 

O homem mais culto, intelectualmente erudito, necessita do ruído articulado de discursos, conversas, sermões, conferências, etc. O intelectual necessita de auditórios de intelectuais, e o veículo para transmitir o ruído mental dos seus pensamentos é o ruído verbal de discursos, que nos ouvintes se converte novamente em ruído mental dos pensamentos.

Essa “luxúria” mental e verbal é característica no mundo da intelectualidade.  

Poucos chegam à “castidade” do silêncio espiritual; a mente prostituída dificilmente aceita essa “virgindade”. 

Mas o homem, quando ultrapassa essas fronteiras evolutivas, entra em uma zona de maravilhoso silêncio, que lhe diz muito mais do que todos os ruídos inarticulados e articulados dos sentidos e da inteligência. 

É, portanto, nesse silêncio fecundo, que o divino fermento começa a trabalhar intensamente.

Flavio de Mello

http://3rd-heaven.blogspot.com.au/

 

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