NA IMENSIDÃO DO AMAZONAS

amazonas

Do livro autobiográfico: Por um Ideal

Huberto Rohden

A estupenda exuberância e deslumbramento da sua flora e fauna não podem ser descritas na silenciosa palidez de uma folha de papel inerte e dar ao leitor a exultante e vibrante epopeia viva da realidade objetiva que é a floresta amazônica, pois quem não viu com os seus próprios olhos, e viveu com sua alma, essas magnificências, nunca terá exatamente a ideia do que seja essa maravilhosa creação de Deus.

Calor perene, umidade abundante, solo fertilíssimo – eis os requisitos básicos para esse eldorado do mundo vegetal e animal no clímax da sua expansão e vitalidade. Aqui imperam ainda, na sua pujança, os longínquos períodos pré-históricos da época mesozoica, quando as condições da Terra se achavam empenhadas nessa dramática evolução que assinala a transição da adolescência para a maturidade. A Amazônia é uma adolescente tropical em luta pela maturidade. Aqui, o livro do Genesis continua aberto, em plena evolução do segundo ou terceiro “dia da criação”…

Porque será que o contato com a Natureza virgem nos infunde essa profunda e benéfica quietude interior – quietude que poderá, ao mesmo tempo, converter-se em malefício, num veneno inebriante?

Dizem os orientais que a Natureza (maya) “revela e vela” a Deus, e isto é profundamente verdadeiro. Revela, manifesta, porque é obra de Deus – vela, oculta, porque é incompleta essa revelação. Na Natureza infra-humana, Deus aparece como um poder impersonal, que se revela pelo imperativo ético do dever moral. Entretanto, Deus não é nem impersonal, como aparece na Natureza, nem personal, como aparece na consciência humana – ele é suprapersonal, ou melhor, onipersonal, como aparece na experiência intima dos grandes videntes e místicos, quando “arrebatados ao terceiro céu”, percebem “ditos indizíveis”, como diz Paulo de Tarso, depois de ultrapassar a zona do impersonal e do personal e arribar nas praias desconhecidas do onipersonal cujo conteúdo é “dito” para a alma, mas não é “dizível” pelo intelecto ou pelos lábios corpóreos. Deixar-se absorver e embriagar pelo fascínio impersonal da Natureza é um perigo sutil, um veneno suavemente mortífero para o homem suficientemente sensível a essa sedução, mas ainda não suficientemente iniciado na onipersonalidade do mundo divino…

Quem jamais experimentou, no seu subconsciente, essa veemente sucção dos misteriosos abismos da natureza infra-humana, sabe do perigo que há nessas inebriantes melodias das tenebrosas Circes magicas e encantadoras das profundezas e das fascinantes Sereias de ilhas longínquas… E sabe também que esses demônios dos abismos de mundos desconhecidos só se transformam em anjos de alturas celestes depois que o homem ingressou na luz meridiana de uma experiência vital do Cristo e do reino de Deus dentro dele mesmo. Para esse homem cessou a funesta sucção do vórtice rumo ao abismo; a Natureza se lhe tornou amiga e aliada no seu caminho em demanda ao Criador comum do homem e da Natureza.

Tudo isto, e muito mais, era pensado em mim, na misteriosa penumbra que me envolvia por entre os gigantescos troncos e as altíssimas frondes dessa imensa catedral das selvas amazônicas, ao trovejante Te-Déum da cachoeira e das discretas melodias das aves e dos insetos em redor.

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