PASSE LIVRE

vidro fumê

                Hoje de manhã precisei tomar uma condução.

Enquanto esperava no ponto de ônibus, comecei a observar o trânsito, como sempre muito lento. Quem sabe um conhecido me veria aqui, e gentilmente ofereceria seu vazio assento ao lado. E compartilharia uns sorrisos para alegrar nosso dia.

Olhava, olhava… E não reconhecia ninguém. Apenas um vulto escondido frente ao volante, atenção não sei onde, fluindo ao sabor da torrente de máquinas a rolar no asfalto. Algum dos vultos poderia ser um famoso, mais oculto ainda com o seus óculos escuros.

Mas, eu não enxerguei um amigo e ele não me enxergou também através do vidro fumê. E nem pensar em ser gentil a uma jovem senhora (modéstia a parte) desconhecida. Quem garantiria não ser ela uma chefa de quadrilha, ou pessoa suspeita?

Por outro lado, como eu poderia garantir que um desconhecido, que acaso me oferecesse carona, não fosse um sequestrador que iria exigir um resgate, ou coisa pior…

Se eu não tivesse pressa… Caminharia pelo centro da Avenida que tem uma bela pista para pedestre, faria uma pausa a admirar as bauhínias floridas, aspiraria o perfume e seguiria até o terceiro ponto adiante onde deveria descer. Também veria mais de perto, os ipês cor de vinho que floresciam no cemitério São Paulo, e me lembraria…  Mas, o que nos lembra mesmo um cemitério?

Para caminhar o passe é livre.

Ainda não inventaram cobrança para praticar o esporte de Gandhi.

Caminhar é recomendação dos médicos da saúde e não da doença.

Para encerrar minha divagação lembro aqui da famosa frase de Gandhi, o líder dos líderes do século XX:

“Seja você a mudança que quer ver no mundo”.

Bauhinia-x-blakeana

5 responses to this post.

  1. Posted by Sergio Cavalini on 20/06/2013 at 18:31

    Iris,

    Felizes eram os sábios da escola peripatética de Aristóteles, que filosofavam ao ar livre e caminhando.
    Quantas idéias e quantos pensamentos magistrais não surgiram nessas caminhadas em Atenas e seus arredores.

    Responder

  2. Sérgio, precisamos voltar a esta prática. Que tal combinarmos uma caminhada lá no Km 67 da Anhanguera? Pode ser a moda Gandhi, em silêncio.

    Responder

  3. Posted by Sergio Cavalini on 21/06/2013 at 23:54

    Vamos combinar , Iris!Isso vale tanto quanto algumas meditações.

    Abs,

    Sérgio

    Responder

  4. Posted by Beti on 23/06/2013 at 17:35

    Tem toda razão querida irmã “pra caminhar o passo é livre”!.

    Responder

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