REALIZAÇÃO EXISTENCIAL

Algumas semanas depois após o tratamento com Viktor Frankl, esta senhora escreveu uma segunda carta ao mesmo médico. Veja que diferença de carta:

                “Estou de perfeita saúde. Encontrei-me a mim mesma” – esta é a frase mais importante de todas. Eu me encontrei a mim mesma – aqui está toda a razão porque ela era infeliz – não se tinha se encontrado. Ela tinha encontrado o seu ego neurótico, mas não tinha encontrado o seu Eu central. Agora na 2ª carta ela diz jubilosamente: “encontrei-me a mim mesmo”. As circunstâncias não me podem fazer infeliz, elas podem me fazer sofrer. Mas, sofrimento não quer dizer infelicidade. Mas o ego não distingue entre sofrimento que vem das circunstâncias ou de outras pessoas e felicidade ou infelicidade. Então, ela atribuía toda a sua infelicidade ao marido que toda tarde sai com seu carro e vai ao clube, vai às suas farras e volta altas horas da noite – e ela fica sozinha em no seu vácuo. Na sua vacuidade, como ela diz, e isto a sentia infeliz. Toda culpa era de alguém, menos dela, porque ela não se tinha se encontrado. Depois ela fez Logoterapia, o que deve ter sido uma espécie de meditação prolongada, uma espécie de retiro espiritual qualquer. Ela não diz como foi.

O certo é que este médico deve ser um grande filósofo, um grande iniciado, um grande realizado, porque para poder conduzir sua cliente da frustração para a realização, da ilusão do ego para a verdade do Eu, é preciso ter muita experiência, não só na clínica material e mental, mas numa espécie de clinica espiritual, que ele deve ter passado por estas experiências. Todas as circunstâncias da natureza ou da sociedade humana nos podem fazer sofrer e nos podem fazer gozar. E nós confundimos este sofrimento com infelicidade. E também confundimos o gozo com felicidade. É a eterna confusão que nós fazemos. Mas quando a gente chega finalmente a se encontrar no seu centro, não na periferia do ego onde estão as neuroses, mas no centro do Eu onde está a verdade… Então as circunstâncias, geralmente não mudam -, aqui na carta, não consta que o marido tenha melhorado. Provavelmente ele continua nas mesmas farras de cada dia e não a leva consigo no carro. Não é nada disto. Nem interessa isto. Seu marido pode continuar a fazer o que quiser, tem pena dele, ele precisa destas farras. Mas ela não se sentiu mais infeliz depois disto.

“Estou segura, encontrei-me a mim mesma”. Esta a grande mudança: o encontro no seu centro e não só nas suas periferias. Todo mundo se encontra nas periferias do ego. Poucos se encontram no centro do seu Eu.

Isto chama hoje em dia autoconhecimento. É claro que ela passou pelo autoconhecimento. Não é fácil passar pelo autoconhecimento. Ninguém me pode levar para o autoconhecimento exceto eu mesmo. Ninguém me pode converter – eu me posso converter. Ninguém me pode realizar – eu me posso realizar. Ninguém me pode educar – só eu me posso educar. Nós sempre pensamos que os outros nos possam fazer bons. Não é verdade, ninguém me pode fazer bom, exceto eu mesmo. Também ninguém me pode fazer mau exceto eu mesmo. Todos me podem mal, mas ninguém me pode fazer mau.

(Comentário de Huberto Rohden na aula sobre Logoterapia)

Transcrição de Íris Helena Gomes – ihgomes@hotmail.com

 

 

5 responses to this post.

  1. O texto acima é realmente uma VERDADE, e o que chamou minha atenção é autoconhecimento , é o encontro do seu centro , do seu EU !Que pensamento maravilhoso! Na maioria das vezes não damos a atenção devida para nossa realização ,e buscamos “culpados externos”, da nossa fraqueza ou até mesmo de nossas frustrações ,sendo que essa busca deveria começar (aqui .. no EU) obrigada pela primeira lição! Meu nome é Cidinha , e sou de São José dos Campos , e gostaria de parabenizá-la pelo conteúdo do texto. .

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    • Obrigada Aparecida!… São José dos Campos, lugar bom de viver, pertinho da Mantiqueira. Vejo que assimila bem a mensagem de Rohden.

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    • A cidinha de São José dos Campos, com certeza, depois que conheceu os escritos ou parte deles de Huberto Rodhen, certamente irá ficar difícil de contintinuar sendo a mesma sem nada alterar -quero dizer- no ponto de vista filosófico de ver a vida como ela representa, afinal,comigo não foi diferente, pois estar aberto para novos conhecimentos, sem querer, já estaremos – paulatinamente – evoluindo e essa evolução caminha com mais firmeza se pender para o lado intuitivo, ou seja: o ruminar, ruminar, ruminar das mensagens de Jesus, explicadas pelo grande prof. Huberto Rohden.

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  2. Posted by Luciene Ortega on 27/02/2013 at 8:52

    Iris;
    É fundamental que os individuos tenham consciência, que cada um é o Ser. Viver na consciência do Ser é estar na presença de Deus. Luciene

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  3. Certamente Luciene, estar na presença do ser é fundamental para a harmonia com todas as adversidades. Este assunto “Logoterapia” é tema preferido do nosso palestrante da Alvorada do Estado do Rio – o Professor Gutenberg.

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