O SUPÉRFLUO NUNCA É SUFICIENTE

Titanic

 

“Quem pensa sempre em objetos sensórios apega-se a eles; desse apego nasce o desejo, e o desejo gera inquietação”.

“A inquietação produz ilusão: a ilusão destrói a nitidez da discriminação; e, uma vez destruída a discriminação, esquece-se o homem da sua natureza espiritual – e com isto vai rumo à perdição”.

Bhagavad Gita 2: 62,63

Texto extraído da aula 13 do Curso de 79. Por Huberto Rohden  

            Mas vamos tratar só de luxo. Luxo é querer bens materiais supérfluos e não apenas necessários. Os bens materiais são necessários para nossa vida presente. Não podemos dispensar comida, ninguém pode viver sem comer. Não podemos dispensar roupa, vivemos na sociedade, não podemos andar nus. Não podemos dispensar casa, moradia. São três coisas necessárias do mundo material: Comida, roupa e moradia. Não podemos dizer: não preciso comer nem vestir ou ter casa nenhuma… Viver na sombra de uma árvore, e chega… Não, no mundo civilizado não se pode usar isto. Usar estas coisas não é luxo, não é ganância. Isto é necessário, perfeitamente compatível com a nossa evolução.

            Agora quando chegamos ao supérfluo em vez do necessário – e o grosso da humanidade faz isto. Ninguém se contenta com o necessário em matéria de comida, em matéria de roupa, em matéria de casa. Tem o supérfluo, mais do que o necessário, isto então é ganância, isto é luxo, isto é ostentação. E nosso querido ego não conhece a palavra ‘necessário’, ele só conhece a palavra ‘supérfluo’. Vocês podem perguntar ao seu ego se ele conhece em seu dicionário as palavras: isto é necessário para minha vida. Ele não entende nada de necessário, ele só entende do supérfluo. O nosso ego sempre quer o supérfluo. Ele nunca diz chega, basta, agora vamos parar aqui. Temos conforto necessário.

            Conforto é muito humano, temos que viver com um conforto necessário. Mas o ego diz: não, não, não… Eu quero confortismo. Confortismo é um vício, conforto é uma necessidade. O conforto é uma necessidade para todo homem civilizado. O conforto de comida, de roupa e de casa é necessário. Mas quando entregamos o conforto ao nosso ego ele diz: não, não, eu quero confortismo. Quer dizer, o conforto supérfluo é confortismo. Todo ego vive um confortismo crônico. E o confortismo crônico acaba em confortite aguda.

            As grandes nações de todo o mundo, os grandes povos, todos morreram de confortite. O império romano, os grandes povos antigos do oriente e ocidente, todos queriam mais que o necessário. Queriam luxo em vez de conforto. As grandes nações antiguíssimas morreram de luxo. Nunca se contentavam com o necessário, sempre quiseram o supérfluo. Quiseram confortismo em vez de conforto e pouco a pouco o confortismo mortífero, confortismo mórbido acabou em confortite mortal. Quando um povo chega a um excesso de conforto, excesso de riqueza, excesso de uso dos bens materiais acaba em confortismo.

            Nós, mais ou menos, vivemos no conforto, somos subdesenvolvidos, mas os superdesenvolvidos, hoje em dia, já vivem no confortismo que é um vício. Então o ego não conhece as palavras: ‘isto é necessário para uma vida decentemente humana’. Ele diz: isto é necessário, mas eu não quero contentar-me com o necessário.  Eu quero o supérfluo, eu quero mais que o necessário. E como vamos arranjar o supérfluo para você… Vamos dar 10 que o necessário. Mas se você quer 20, vamos dar o 20. Mas o ego não diz que o 20 é necessário, ele quer o 30. Se nós damos o 30, ele diz: não o 30 não é suficiente, eu quero 40. Ele nunca diz que este conforto é suficiente. Vamos contentar com este conforto que eu tenho. Não, o suficiente não existe para o ego, ele quer o supérfluo. O supérfluo é luxo.  O necessário não é luxo, isto é conforto. Quer dizer que o ego é assim mesmo.

            Então as nações, todo o mundo briga por causa do supérfluo. Tristão de Ataíde, esse escritor, muito filosófico, escreveu sobre conforto e confortismo. Então ele diz: “atualmente 2/3 da humanidade estão morrendo de fome, porque não têm o necessário, e 1/3 da humanidade está morrendo de indigestão, usando o supérfluo”. 2/3 da humanidade estão morrendo de fome porque não têm o que comer, o que vestir e nem para morar. Estão morrendo porque lhes falta o necessário. E 1/3 que vive no supérfluo, morrendo de indigestão porque comeu demais; e outros porque comeram de menos. É esta a situação da humanidade. Uma evolução completamente desequilibrada.

            Os jovens se contentam mais facilmente com o necessário do que os da idade madura.  Esta ganância cresce na razão direta da idade.

Transcrição de Íris Helena Gomes

A apostila completa está à disposição do interessado.

ihgomes@hotmail.com

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