O CANTO DO CISNE

TRANSCRIÇÃO FIEL DA ÚLTIMA AULA DE HUBERTO ROHDEN DADA EM 25/11/80 – QUE CONSIDERO O SEU CANTO DO CISNE.

        Alvorada. – muitos não sabem porque nós chamamos isto aqui Alvorada. Esta é a sede urbana da Alvorada. E amanhã eu vou à sede rural da Alvorada, 70 km daqui – onde temos o nosso Ashram.

        Bem, Alvorada é o nome que eu dei, mas eu não inventei a coisa – apenas o nome. O que nós chamamos Alvorada no Brasil existe em todos os paises cultos da Europa e dos Estados Unidos, com a mesmíssima finalidade… Com nomes diferentes, mas a finalidade é a mesma. Na Inglaterra este movimento chama New Outlook – a Nova Perspectiva. Na Alemanha – que eu assisti muitas vezes a Alvorada da Alemanha chama-se Neugeist – Novo Espírito. Tenho livros maravilhosos de K O Schmidt sobre o Neugeist. Eu tenho aqui, mas em alemão. Nos Estados Unidos assisti muitos anos a este movimento que se chama Self-Realization – Autorrealização. São três nomes diferentes, mas é a mesma finalidade. A finalidade em toda parte é a seguinte:

        A humanidade elite… Não se trata da humanidade massa, tratamos só de uma elite espiritual da humanidade… A humanidade espiritual está ansiosa por ter experiência direta de Deus e não está satisfeita com crer num Deus longínquo, que a gente vai encontrar depois da morte. Isto é muito bom para as crianças e para homens infantis – espiritualmente infantis. Mas, nós temos quer ser espiritualmente adultos.

        De maneira que em todos os países cultos da Europa e Estados Unidos se iniciou há quase 100 anos… Há quase 100 anos já existe na Europa e nos Estados Unidos este movimento para abrir um caminho ao homem para ter experiência direta e imediata de Deus e do mundo espiritual. Parece uma frase muito ousada dizer isto: como é que podemos ter experiência de Deus aqui e agora? Não depois da morte. É aqui, em plena vida. É possível ter experiência. Experiência, não crença! Já estamos além da crença. É bom ter crença no princípio, mas depois precisa entrar na experiência. Crença é infantil, mas experiência é para os adultos.

        Bem, é possível ter experiência direta e imediata de Deus e do mundo espiritual? Esta é a grande pergunta. Se Deus fosse uma pessoa que morasse para além das vias-lácteas, é claro que seria impossível, porque nós não podemos fazer uma viagem para além das vias lácteas e Deus não pode ser chamado para cá. Mas, isto é uma velha teologia que nós já superamos. Nós acreditamos num Deus transcendente ao mundo, isto sim. Mas também aceitamos um Deus imanente neste mundo. Não só um Deus ausente para lá das estrelas, como pensam muitos – mas também num Deus presente… Presente aqui e agora em todas as creaturas… Um Deus imanente, como dizemos na filosofia.

       A essência de Deus está imanente em todas as existências humanas e não humanas. A essência é invisível. As existências são visíveis. A essência invisível não é uma pessoa. Pode se chamar a consciência cósmica. Pode se chamar a inteligência do universo.  Pode se chamar a vida universal – esta essência imanente.

        Um grande filósofo do século XVII, Spinoza, disse que Deus é a alma do universo e o universo é o corpo de Deus.  Definiu muito bem. O que nós vemos, isto é a manifestação visível de Deus. Aquilo que nós não vemos é a alma da divindade. Então o uno e o verso. O uno é a alma e o verso é o corpo. Usamos a palavra universo… A palavra universo é formidável para nossa finalidade. O uno é a essência única invisível do universo, onipresente. Presente em qualquer creatura é o uno. Versos são os corpos. São as existências visíveis que podemos chamar as diversidades.  Verso é uma abreviação de diversidade – diverso.

        Então, na Alvorada nós ensinamos aqui no Brasil e em todos os países onde a Alvorada existe (na Europa e nos Estados Unidos) a onipresença de Deus em todas as coisas. A onipresença é invisível, mas real. É uma presença real. Deus está realmente presente em toda e qualquer creatura: Mineral, vegetal, animal, hominal, ou o que seja, a presença é absolutamente certa. Se Deus não estivesse presente em tudo, como é que nós vamos dizer que ele está onipresente.

        Nós sempre dizemos que Deus está onipresente. É claro que está onipresente na sua essência invisível. E isto é que nós chamamos de Alvorada. E isto é que os alemães chamam Neugeist e os ingleses chamam New Outlook e os americanos chamam Self-Realization. Mas é a mesma ideia, a mesmíssima ideia. Nós não mudamos nada, porque isto é o ponto culminante de toda a experiência humana neste mundo – que pouco a pouco a humanidade está atingindo o ponto culminante da sua experiência.

        Pergunta-se: como chegar a essa experiência direta e imediata da divindade imanente em nós, mas geralmente inconsciente? Temos que conscientizar esta presença. A presença de Deus é um fato. Mas a nossa consciência desta presença, isto é um problema – isto é o nosso grande problema: conscientizar, tornar consciente a nós esta presença real de Deus em todas as coisas.

        Para conscientizar a presença real de Deus em todas as coisas nós usamos horas especiais de interiorização que chamamos meditação. O principal da Alvorada em todos os países é esta meditação. Sem meditação o homem anda nas periferias de si mesmo. Nas periferias nós não podemos conscientizar. No centro nós conscientizamos Deus. O centro não é um centro físico. A consciência é um centro. O corpo é uma periferia. A mente é uma periferia. As emoções são periferias. Mas a consciência é a nossa alma, é o nosso espírito, é o nosso Eu central.

        Então temos que chegar a entrar em contato direto e consciente com a essência da nossa própria natureza humana, com o nosso Eu central. Por isso praticamos horas de meditação. E recomendamos a todos que façam em casa mesmo, meia hora de meditação cada manhã cedo. A melhor hora é de manhã cedo, antes de iniciar qualquer trabalho. Fazer completo silêncio dos sentidos, fazer silêncio da mente, não pensar nada. Fazer silêncio das emoções, não querer nada…  Não ver, não ouvir, não tanger, não pensar, não desejar nada durante meia hora.

        Vocês vão dizer: isto é impossível. Então cai no sono. É claro que a gente cai no sono! Se vocês fazem isto, não ver nada, não ouvir nada, não tanger nada, não pensar nada e não desejar nada – vocês vão cair no sono. Mas isto não é meditação. Sono não é meditação. Isto é uma descida ao subconsciente. Mas a meditação é supraconsciente e não subconsciente. Não se trata de cair em transe na auto-hipnose; isso é muito fácil. Quem elimina os sentidos, a mente e os desejos, geralmente cai em transe. Cai na auto-hipnose. Não resolve nada, nada, nada… Porque tudo isto é um mundo inconsciente ou subconsciente. A solução não está no mundo inconsciente. A solução está no mundo supraconsciente… Pleniconsciente.

        Logo, quem entra em meditação deve eliminar a função dos sentidos, a função da mente e a função das emoções. Isto tem que ser eliminado. Mas o que ele não deve eliminar é seu estado consciente e espiritual. Aqui vem a grande dificuldade. Quando eu digo isto aos principiantes eles me dizem: o senhor está exigindo um círculo quadrado, mas não existe um círculo quadrado. Porque eu digo aos principiantes: escute você fica 100% consciente, ouviu? 100% consciente na sua alma, mas você fica zero% pensante.

        Como é que eu posso ficar 0% pensante e 100% consciente? Eles dizem: isso é um círculo quadrado. Quando eu não penso, eu não sou consciente, eles me dizem. E quando eu sou consciente eu penso. Esta é a dificuldade dos principiantes. Eles confundem consciente com pensante. E nós sabemos que isto não é verdade. Pouco a pouco a gente descobre que a gente pode ficar 100% consciente durante meia hora pelo menos… Sem pensar nada, nada, nada… Sem querer nada, sem sentir nada, sem tanger nada, nada. Quer dizer, eliminamos a atividade dos sentidos, e da mente e das emoções. Mas fazemos funcionar plenamente a consciência. Isso se chama meditação, cosmomeditação.

        Para muitos é difícil começar com meia hora, mas para muitos é fácil começar com um minuto… Com 5 minutos. Eu conheço pessoas aqui que começaram com um minuto. Se vocês puderem ficar assim um minuto, pleniconsciente e nada pensante… Depois fazem 5 minutos, e conseguem. Depois 10 minutos e conseguem. 15 minutos… Quando chega à meia hora já é um grande triunfo. Quem chega à meia hora de ficar consciente sem pensar nada e sem querer nada, e sem ver nada, e sem ouvir nada, e sem tanger nada, já superou pelo menos o ABC. Já saiu fora do ABC. Mas quem não chegou aí, ainda não aprendeu nem o ABC.

        Isto então se pratica em todas as Alvoradas: a meditação imediata da presença de Deusem nós. Nósnão fazemos Deus presente, ele já está presente. Mas nós conscientizamos esta presença porque estávamos inconscientes nesta presença. E então temos que ter a consciência da presença. E por que isso? Não é isto perder tempo?

        Meus amigos, se alguém fizer isto meia hora por dia pelo menos, vai verificar que toda sua vida muda para melhor. Tudo. Tudo muda para melhor. Em todos os setores da vida diária a coisa vai melhorar. Vai melhorar muito. Eu não posso enumerar agora em pouco tempo todos os melhoramentos que vão ocorrer. Mas os que fazem, sabem e se sentem felizes. A felicidade, não o gozo… O gozo é do ego, mas a felicidade é do Eu. A felicidade profunda, permanente e indestrutível em nós depende desta meditação.

        Quando a gente tem a consciência mesmo transitória da presença do Deus infinito em nós, então começamos a ser realmente felizes tranquilos e seguros. Não temos mais medo de nada, nem da morte. Porque não acreditamos mais em morte. Aqui não há mais morte. Essa transição do corpo material para um corpo astral, isso não quer dizer nada, é coisa indiferente.

        Bem, para quem teve essa experiência, muda completamente a sua vida. Fica tranquilo, sossegado, feliz, no resto da sua vida. A meditação é um meio, mas não é um fim. Tem que ser praticada. Isso nós fazemos na Alvorada. Fazemos aqui toda segunda feira à noite uma meditação coletiva, para um pequeno grupo que queira vir. Mas cada um tem que fazer meditação individual em casa.

        E de vez em quando, na semana santa, em setembro e em novembro fazemos meditações prolongadas no Ashram. O Ashram é uma casa no meio do mato, dá para 30 pessoas. Então vamos ao Ashram na semana santa sempre. Lá se reúnem umas 30 pessoas que já têm muita prática em meditação individual e ficam três dias lá na casa do Ashram em completo silêncio. Lá não se fala, fica em permanente meditação. Lá a meditação não é de meia hora. Nem de uma hora, mas de 24 horas praticamente.

        Bem, dorme-se é claro! No sono não se medita propriamente. Mas durante a vigília do dia, as pessoas que fazem o retiro espiritual de três dias estão praticamente em meditação permanente. E de vez em quando entramos em meditação coletiva no santuário do Ashram. Mas mesmo fora do santuário cada um continua em meditação individual permanente. Isto nós chamamos retiro espiritual no Ashram da Alvorada. Isto é geral em todos os países culturais do mundo, na Europa e nos Estados Unidos.

        É um movimento de experiência direta do mundo divino e espiritual. É um movimento direto, não de crença – isto é para as massas – mas de experiência direta e imediata. Isto é possível. Isto é que nós no Brasil chamamos Alvorada da consciência cósmica. – ou simplesmente abreviar: Alvorada.

        A Alvorada está registrada aqui no Brasil como pessoa jurídica com o nome de: Instituição Cultural e Beneficente Alvorada com fins não lucrativos. Nós temos que receber as contribuições para mantermos os edifícios de toda Alvorada, mas não somos comerciais. Não fazemos lucros, apenas temos as contribuições necessárias para poder manter as coisas da Alvorada, tanto na cidade como lá fora na zona rural.

        Bem, isto eu queria dizer porque muitos falam na Alvorada e não sabem o que é. Agora nós vamos antes de começar a festinha musical – nós vamos cantar o Hino da Alvorada. Nós temos o nosso hino próprio em três estrofes. Em cada estrofe tem três bis. O 1o e o 2o bis são piano. O 3o bis é forte, em cada estrofe. Outra coisa: na 1a e segunda estrofe nós falamos do coração, e por isso colocamos a mão no coração. Na 3a estrofe falamos: eia, pois amigos todos, uns aos outros dai as mãos. E acompanhamos com o gesto de dar as mãos aos vizinhos.  Quer dizer, na 1a e na 2a estrofe colocamos a mão sobre o coração e cantamos. Na 3a estrofe estendemos as mãos e damos as mãos para os nossos vizinhos.

        Agora fiquem todos em pé porque os hinos devem ser cantados em pé.

        Vejam o texto que têm aí:

        Voz de Dr. Homero – vice-presidente da Alvorada:

Além das palmas que significam o nosso muito obrigado ao professor, nós vamos agradecer a ele com uma mensagem de arte. Eu tenho a impressão que o professor gostará também de receber o muito obrigado nosso através de uma linguagem eterna, permanente e sempre edificante que é a música.

Eu gostaria que os nossos amigos músicos que gentilmente vêm colaborar conosco se apresentassem.

Os músicos Fábio Stein e Plínio da Silva apresentam um concerto de flauta doce.

 

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