CONVÍVIO COM A NATUREZA

Os hábitos fazem o monge. Quem está acostumado com ruas barulhentas, poluição sonora, visual e do ar, agitação… dificilmente se adapta a um meio rural. O oxigênio o perturba. O silêncio é um tormento.

As necessidades de consumo nunca se esgotam. Mais gasolina, mais combustível vegetal, mais energia elétrica, mais bateria com poluentes de todos os tipos. Nada basta a satisfazer os insaciáveis e inquietos. Mais rios estão sendo represados e com eles florestas inteiras morrem no fundo das águas. As águas caem das nuvens e inundam as ruas, correndo para os rios poluídos; levam consigo todo o lixo jogado nas ruas cujo destino é o mar imenso. Não é só o lixo das praias que vai para o mar. As enxurradas não se infiltram no asfalto. Varrem as ruas levando tudo que é indigesto para o estômago da fauna marinha. Nem preciso citar a ameaça que a exploração do petróleo marítimo pode causar.

Nasci numa propriedade rural de Minas Gerais. Era um lindo vale cercado de montanhas com fascinantes contornos. Havia um ribeirão caudaloso a correr pelo vale. Suas águas tão claras e limpas podia-se beber. A natureza pródiga se incumbia de filtrá-la com o cascalho e seixos roliços do fundo do leito. Líquidos corredeiros seguiam cantantes, na alegria de se doar e saciar a sede de toda espécie de ser vivo. Passando pela pinguela ou brincando nas águas, nós crianças nos divertíamos de um modo bem salutar.

Hoje o sertão virou mar, diz alguém que teima em viver na redondeza. O Ribeirão foi inundado pelas águas do Rio Quebra-anzol onde desembocava. Virou represa.

Não posso lamentar ter-me mudado do berço natal, quando meus pais resolveram procurar escola para educar os filhos. De qualquer forma teria de ser expulsa de lá um dia, como acontece hoje e sempre que o governo resolve construir uma nova barragem.

Motivo maior para não me queixar é que a avezinha de minha alma ansiava por algo que não sabia o quê e só mais tarde pôde saber. Haveria esta avezinha de emigrar num outro terreno completamente contrário ao daquela criança de roça.  Tinha de entender o mundo, ultrapassar as barreiras, sondar os mistérios da vida e compartilhar com outras almas as mesmas respostas.

No meu encontro com Rohden e sua filosofia iniciei uma jornada inacabada. O livro da natureza dentro e fora de mim me dá lições e mais lições. O que falta para melhorar o mundo dos homens e do planeta azul em que habitamos?

Nada mais que isto: Aquiete-se Diz o salmista. Ouça a sua voz interior, o Cristo interno sempre presente, aprenda a conviver com a natureza.  Desperte a alvorada dentro de ti. Lembre-se que a noite termina com uma bela alvorada. Precisamos de muitas almas renascidas pelo espírito para orientar os homens que perderam os seus caminhos e até seus endereços.

 

OBRIGADA A TODOS QUE VISITAM, LEEM E COMENTAM ESTE BLOG.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: